Construir ou reformar é um momento que sempre exige muita atenção e cuidado. E, o entulho de obra está entre os pontos a se considerar. Afinal, esses resíduos de construção civil e de demolição podem colocar em risco o meio ambiente.

Para se ter uma ideia da importância do tema, de acordo com os dados da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (Abrecon), por ano, o nosso país produz uma média de 84 milhões de m³ de entulho.

Se esse descarte não for feito de maneira correta, é possível causar uma série de problemas para o meio ambiente e também para os moradores do entorno.

Não sabe o que fazer com o entulho de obra? Continue a leitura e descubra!

O que é considerado entulho de obra?

O entulho de obra é todo resíduo da construção civil ou de qualquer processo construtivo, como reforma, escavação ou demolição.

Assim, podemos entender o entulho como um conjunto de fragmentos que contém restos de concreto, tijolo, argamassa, madeira, aço, canos de PVC, gesso, resinas, colas, tintastelhas, vidros, plásticos, tubulações, fiações elétricas, entre outros itens provenientes do desperdício na construção, reforma ou demolição de estruturas.

Quais os riscos do descarte incorreto?

O entulho é, atualmente, considerado um dos grandes vilões do ambiente urbano. Sua acumulação pelo descarte incorreto é um grande vetor de doenças como febre amarela, dengue, chikungunya. Além disso, ele também atrai insetos e roedores, como ratos, ratazanas, baratas e escorpiões.

Outro problema é quando esse entulho é descartado de maneira ilegal em córregos, rios e represas, elevando o leito, o que poderá causar graves problemas a toda a população, como enchentes e riscos de desabamento das casas próximas ao leito de água.

Entulho de obra: quais as principais classificações?

Nem todo entulho de obra é igual. Esses resíduos são divididos em classificações, de acordo com o Conama nº 307/2002. As classes são:

Classe A

São os resíduos recicláveis ou passíveis de reutilização e provenientes de construção, demolição, reformas e reparos nas edificações, pavimentação e raspagem de ruas, obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem.

Alguns exemplos são: tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, argamassa e concreto.

Classe B

Também são resíduos recicláveis, mas formados por plásticos, papéis, metais, vidros e madeiras em geral, incluindo o gesso.

Classe C

São os resíduos que não podem ser reciclados ou recuperados, pois ainda não existe uma tecnologia desenvolvida para isso ou porque não é economicamente viável a recuperação do material por meio da reciclagem.

Classe D

São os resíduos perigosos oriundos do processo construtivo, como solventes, tintas, óleos, amianto e produtos de demolições, reformas e reparos em clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

Quais são as normas e legislações para entulho de obra?

imagem de uma balança com um homem lendo livro no fundo
É importante conhecer as legislações que abordam o tema para fazer o descarte do entulho de obra da forma correta.

O entulho de obra é um assunto tão sério que existem várias legislações que abordam sobre o tema. Em relação à legislação federal, duas são bem importantes: a resolução 307/2002 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e a lei 12305/2010.

Ambas instituem sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e estabelecem as competências e responsabilidades atribuídas e compartilhadas dos geradores, transportadores e administradores municipais pelo gerenciamento dos resíduos da construção civil.

Para essa lei, além do poder público, os pequenos, médios e grandes geradores de entulho também são responsáveis pela destinação final dos seus resíduos quando inexiste a possibilidade de reuso ou reciclagem. E, ainda, são responsáveis por todos os entulhos retirados e manuseados.

Em casos de descarte ou deposição irregular, o gerador do entulho poderá ser multado de acordo com a definição de cada município.

Além das legislações, ainda existem 5 normas técnicas que falam sobre o tema que são: NBR 15112/2004, NBR 15113/2004, NBR 15114/2004, NBR 15115/2044 e NBR 15116/2004. Todas elas oferecem informações técnicas e legais para a separação, reciclagem e destinação responsável dos entulhos de obra.

Como fazer o descarte correto do entulho de obra?

O primeiro passo é verificar o que pode ser reciclado ou reutilizado no seu entulho de obra. Após separar os elementos que não possuem essas alternativas, é hora de investir no descarte consciente. Confira algumas alternativas:

Coleta convencional

Caso a quantidade de entulhos não seja muito grande, você poderá realizar o descarte convencional, como os demais lixos gerados na sua casa.

Cada prefeitura poderá ter um limite máximo para isso. A de São Paulo, por exemplo, apenas recolhe o máximo de 50kg de entulho por dia por imóvel e orienta que estes estejam separados e organizados da forma correta.

Ecopontos

São os pontos de entrega voluntária dos entulhos. O serviço é gratuito, mas é preciso confirmar antecipadamente se o seu município possui esse sistema de coleta. Em geral, ele também possui um limite máximo.

Em São Paulo, esse limite é de 1m³ de entulho por dia – e os pequenos geradores são responsáveis por realizarem a separação prévia dos resíduos gerados e da sua entrega de acordo com as normas estabelecidas.

Caçambas

As caçambas ainda são a destinação mais tradicional para o entulho de obra. Nesse sistema, o gerador contrata uma empresa que fará a remoção dos resíduos de construção, levando-o até uma destinação adequada e regulamentada para o descarte.

Mas, atenção, porque é fundamental encontrar um empresa que seja licenciada. Para isso, verifique antecipadamente a lista de empresas cadastradas na prefeitura da sua cidade e não esqueça de apresentar comunicação de pequenas obras na prefeitura.

Outra dica é solicitar o plano de gestão de resíduos sólidos da sua prefeitura e analisar as orientações específicas de descarte para a sua cidade.

Quais as técnicas construtivas que geram menos entulho?

homem colocando piso
Algumas técnicas de construção podem contribuir para a diminuição de entulho ao final da obra.

Para evitar o entulho de obra, uma boa alternativa é investir em técnicas construtivas mais modernas, que reduzem o desperdício e a geração de resíduos. Veja algumas ideias:

Construção a seco

Na construção a seco, materiais como argamassa e água não são usadas no canteiro de obras. As estruturas podem ser, por exemplo, paredes constituídas de perfis metálicos, placas de gesso, estruturas pré-moldadas em concreto ou aço, forros em madeira, etc.

Assim, os responsáveis por criar sustentação das edificações são as vigas e pilares. Lá fora, esse método construtivo é muito usado e resulta em construções mais sustentáveis, sólidas, versáteis e resistentes.

Além de não gerar tanto entulho, esse método construtivo ainda é mais rápido que o convencional, possui excelente proteção contra umidade e necessita de menos mão-de-obra.

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Drywall

O drywall é um dos tipos de construção a seco mais conhecidos e usados atualmente. Ele se configura em placas de gesso envoltas por uma estrutura de aço.

Esse tipo de construção é bastante ágil, econômica e versátil. Outra vantagem é o isolamento que pode ser feito com lã mineral ou outros materiais, sem atrapalhar a construção da estrutura metálica.

Além do drywall, outros tipos de construção a seco são:

  • parede dupla de concreto: muito usada na construção de shoppings e galpões. As paredes são conectadas por uma armadura em treliça que faz a estruturação da edificação;
  • steel frame: pode ser chamado de LSF (Light Steel Framing) e leva aço na sua execução. Esse método usa painéis estruturais construídos com perfis de aço zincado dobrados a frio;
  • painéis EPS: é feito com telas galvanizadas que são unidas por treliças e, então, firmadas em seu interior com EPS. Em seguida, é aplicada argamassa na estrutura. Mesmo usando argamassa é considerada uma técnica de construção a seco por aliar muitas características e vantagens do método.

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Piso sobre piso

Uma ideia para reduzir o entulho das reformas é fazer a aplicação de piso sobre piso. Para isso, basta que o revestimento existente não apresente áreas ocas ou estufadas.

Os desníveis que podem surgir pelo aumento da espessura de um novo revestimento sobre um antigo podem ser resolvidos facilmente com a instalação de soleiras no piso e enchimentos de batentes nas paredes. Só lembre-se de usar uma argamassa colante própria para esse tipo de aplicação.

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Como reaproveitar o entulho de obra?

Atualmente, acredita-se que a construção civil seja responsável por consumir cerca de 50% dos recursos naturais da sociedade, sendo que a produção de resíduos construtivos é duas vezes maior que a produção de lixo urbano.

Reciclar e reutilizar os resíduos, portanto, é uma maneira de evitar o descarte na natureza e também de reduzir o uso de matérias-primas naturais para a fabricação de novos materiais de construção. Muitos dos detritos gerados que seriam descartados podem ser aproveitados na própria obra, basta apenas direcionar um olhar diferenciado para ele.

A argamassa e os materiais cerâmicos, por exemplo, podem ser usados na construção das muretas de jardins, nos enchimentos de base para pisos ou valas, no aterro de vigas baldrame, no lastro para calçadas e nos serviços de drenagem.

Quando esse material cerâmico é triturado (basta alugar um moinho para fazer isso), o item também é usado na composição da argamassa, o que reduz o consumo de cimento, cal e areia, significando, também, uma economia na hora de construir.

Além disso, você poderá usar a criatividade para dar novas finalidades a objetos antigos, é o que, em arquitetura, se chama de upcycling. Um antigo vaso sanitário, com uma limpeza, pintura e ajustes, pode se transformar em uma floreira e canos de PVC podem ser usados para montar um jardim vertical.

Destine para a reciclagem

Além de reaproveitar os itens dentro da sua obra, é possível separar aqueles materiais que podem ser destinados à reciclagem, como:

  • plásticos: latas, pincéis, bandejas, fios, canos e outros podem ser encaminhados para indústrias especializadas de reciclagem. Só evite encaminhar os produtos com materiais tóxicos;
  • cimento, argamassa, concreto e cal: devem ser encaminhadas para indústrias específicas que fazem um processo de moagem e incluem os itens para compor novas construções. Apenas o gesso não pode ser usado porque compromete a qualidade do cimento e do concreto feitos à base de reciclagem;
  • madeiras: depois do devido tratamento e cuidado, as madeiras podem ser usadas por diversas empresas para a produção de móveis, molduras, chapas, madeiras para aglomerados, entre outros;
  • materiais cerâmicos: restos de pisos, blocos, telhas, pastilhas e outros que, após a reciclagem, podem compor pisos e outros itens ou serem reaproveitados como agregados em outras estruturas.

Além desses, também podem ser reciclados papéis, pedras rochosas, tecido e até metais.

Neste conteúdo, você aprendeu que a destinação correta do entulho de obra é de suma importância, seja para evitar multas ou para contribuir com o meio ambiente e o bem-estar geral da sociedade.Gostou dessas dicas? Cadastre o seu e-mail e receba sempre as novidades aqui do blog!

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